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Fundação José Carvalho:



No dia 23 de julho, a Fundação José Carvalho completou 36 anos. A data foi comemorada na sexta-feira (22) com um café da manhã na sede, em Pojuca, que reuniu diretores, coordenadores, funcionários do campus de Pojuca e convidados. Nas escolas, a data foi marcada por atividades artísticas, esportivas e culturais.
A presidente da instituição, professora Marilene Ferreira, falou, em entrevista, da força e da perseverança do instituidor, José Carvalho, para realizar uma obra de tamanha grandeza, salientando também a importância de todos aqueles que, de alguma forma, contribuem para que o trabalho da fundação tenha continuidade.
“Para edificar uma instituição é preciso mais que um projeto, é preciso mais que tijolos e argamassa. É preciso de gente. Pessoas que tomam para si a missão de fazer acontecer, que não se intimidam diante das barreiras impostas. Pessoas que, com os pés no chão, sonham alto e vêem além”, resumiu a presidente, explicando que cada uma dessas pessoas guarda consigo parte significativa dessa história.
Inspirada nas palavras da professora Marilene, a equipe da Revista Fundação conversou com funcionários antigos e recentes da instituição em busca de conhecer um pouco mais daqueles que fazem esta casa funcionar. 
Uma dessas pessoas é Hildete Nery de Brito, que está na Fundação José Carvalho há 25 anos. Está na Escola Maria Carvalho desde a fundação. “Em novembro de 1986, participei do processo seletivo para a Fundação José Carvalho, prestei prova de Língua Portuguesa, Matemática e Prática de Ensino. Vencendo esta etapa passei por entrevista, sendo aprovada com êxito. Em março de 1987, fui contratada pela Fundação José Carvalho, para trabalhar como professora do Ensino Fundamental, na Escola Maria Carvalho. No ano de 2001 passei a exercer a função de Coordenadora Pedagógica na mesma Unidade, onde estou até hoje”.
Hildete diz que se identifica com a missão da empresa, e se considera um agente de mudança e, como professora, tem consciência da obrigação de criar estratégias para que seus alunos atinjam, no mínimo, um padrão aceitável de conhecimento e habilidades, para que adquiram condições de viver em qualquer comunidade e também para poderem se posicionarem na vida de maneira autônoma e proativa.  “Acho que era isso que o Dr. José Carvalho se referia, no dia da inauguração da Escola Maria Carvalho, quando se aproximou da equipe de docente recém-contratada e de forma bem simples nos disse: vocês podem mudar a vida de muita gente..., por isso vocês são professores... De fato, nós professores temos a tarefa de mostrar às novas gerações a importância de cada indivíduo e seu papel na sociedade, enquanto cidadãos conscientes de seus direitos e deveres”, constada Hildete.
Gisélia Rabelo (53) também viu muitas transformações na Fundação José Carvalho. Está aqui há 22 anos. Formada em magistérios, iniciou como secretária da Escola Denise Carvalho e depois de quatro anos passou a lecionar. “A escola era em uma casa com duas salas de aula. Depois a escola veio crescendo, se desenvolvendo e está, cada vez mais, bonita”.
Na memória de Gisélia tem um espaço reservado para as festas de São João. “As festas de São João eram muito boas. Dr. Carvalho estava presente sempre. Ele vinha muito em nossa escola. Tenho uma lembrança boa dele. Uma pessoa amiga. Ele chegava aqui e pedia algo: - Você pode digitar isso aqui para mim. Uma vez ele até brincou: - Não sei se você vai entender a minha letra. Se não entender, pode me perguntar quantas vezes precisar. É um homem simples. Quando chegava aqui, conversava com as pessoas, tratava bem. Eu tenho essa lembrança dele bem marcada”.
Gisélia diz que sua caminhada na Fundação José Carvalho foi marcada por uma trajetória de crescimento. No próximo ano, conclui mais um curso superior, em Administração. É a mesma opinião de Adenildo Bernardo dos Santos (40) Técnico em Agropecuária pela Escola Técnica Federal de Catu, Tecnólogo em Administração e está concluindo a Licenciatura em Geografia. “Fui contratado pela Fundação José Carvalho em 1991, quando estava com dezoito anos de idade. Cheguei à Escola Rural Tina Carvalho (ERTC) para fazer um estágio na área agropecuária, passei por um processo seletivo, logo fui contratado para ensinar. Naquele tempo, a Fundação vivia momentos de efervescência na educação e nos ideais de realização. As coisas aconteciam à velocidade da luz, o pensamento se materializava no olhar de Dr. Carvalho. Encontrei aqui uma equipe envolvida e muito responsável, todos estavam focados no projeto, e a boa ação da coletividade me fez um eterno aprendiz. Hoje, compreendo melhor a simbiose que existe entre a Fundação e o social, e a importância desta Instituição no cenário brasileiro”, salientou.
Adenildo diz que foi na Fundação José Carvalho que pode compreender que a educação para alunos do campo em sistema de alternância é algo desafiador. “A Tina Carvalho tem propiciado condições ideais para a formação integral do indivíduo. Destaco o projeto Saber Fazer, que tem funcionado com como uma mola propulsora para transferência de tecnologia para o homem do campo”.
Em sua fala, é impossível não perceber a gratidão e o afeto que tem pela instituição. “Vivo mergulhado na missão da Fundação José Carvalho porque acredito que um ato coletivo é a consciência do bem, e a prática do bem é o que chamamos de amor”.
Foi justamente o cunho social da Fundação José Carvalho que atraiu a professora de matemática Maria Luiza Ferreira, pós graduada em educação matemática, com novas tecnologias. “Meu primeiro contato com a Fundação foi através das crianças em situação de risco social e pessoal no projeto ACENDE, parceira da Fundação José Carvalho. Essa Instituição teve uma durabilidade de quase 9 anos. Logo em seguida, quando o projeto foi finalizado, nós devolvemos o projeto para o governo do Estado e eu ingressei na Escola Rolf como professora do ensino fundamental, 4ª série.
Maria Luiza diz que quase 70% da sua vida é voltada para a Fundação José Carvalho. “Eu tenho prazer em lidar com os alunos, em estar em contato direto com eles, em poder ajudá-los nas questões acadêmica. A Fundação me acolheu aqui com muito carinho. E hoje, os sentimentos que eu tenho pela entidade são também de muito carinho, dedicação e responsabilidade. Gosto de estar aqui”.
É o gostar de estar aqui e fazer parte de um projeto considerado ímpar na área de educação que atrai pessoas como a professora Silvia Maria dos Santos (45) do Colégio Técnico, que completa este ano sete anos de Fundação.
“É um privilégio em vários sentidos trabalhar aqui. É uma instituição que realmente tem seus objetivos e viabiliza um trabalho para que o professor possa alcançar os seus. Nós sabemos que temos um alunado diferenciado. São alunos que se adéquam à estrutura da instituição. Meninos educados, com desejo de ter uma boa formação. É um privilégio trabalhar aqui. Eu gosto muito. Gosto de ser professora. Enquanto eu puder estar aqui eu vou dizer muito obrigada. Acho também que eu faço por onde merecer.
A mesma gratidão pela Fundação, o vigilante e motorista da Escola Rural Rolf Weinberg há 21 anos, José Hermogenes Trinchão, expressa ao ser perguntado sobre a importância da Instituição na sua vida. “Foi através daqui que eu tive a oportunidade de me casar, de ter filho e de construir uma casa. Eu só tenho que agradecer à Fundação, porque sem ela talvez eu não tivesse o que eu tenho hoje. Me sinto bem em trabalhar aqui”.
Colega de Hermogenes, o bem humorado Josedivaldo Bastos Burabhem, de 58 anos, há 22 como vigia da Rolf, lembra de como era o terreno antes da escola ser construída. “Isso aqui era tudo mato. Não tinha nada. Era só uma capoeira velha feia. Depois, colocaram dois tratores, trabalhadores, mais vigias e começaram a construir os prédios. Aos poucos a paisagem foi mudando. Hoje, está tudo bonito e bem cuidado. Nem parece o terreno de antes”.
Filho de sertanejo, Burabhem passou por dificuldade para arranjar emprego quando veio de Ipirá, onde nasceu, para Mata de São João. “Quando eu vim para cá eu tinha pouco menos de 25 anos. Vim com a minha família toda. Antes eu trabalhei em uma empresa em Mata como vigilante, passei um tempo em São Paulo também, e, depois, trabalhei olhando o gado no pasto na Pindobeira, uma fazenda da Fundação. Com 1 ano de trabalho lá o pessoal disse que eu era vigia bom de trabalhar e tinha que ir para Rolf”.   
 
 
Com 22 anos na Fundação Josedivaldo sabe o valor da Instituição na sua vida e da importância do trabalho realizado com as crianças. “É um lugar que ensina as crianças a terem uma vida melhor; a terem uma profissão no futuro.”
Pensando em melhorar as condições de vida que Benício Pena, encarregado de manutenção da Fundação chegou à instituição, em 1986. “Naquela época, eu era garoto novo querendo fazer alguma coisa na vida para ganhar dinheiro. Foi quando fiquei sabendo de uma oportunidade de trabalho na Ferbasa. Durante o processo seletivo fiquei sabendo que a vaga era para vigilante. Fiz o teste, passei e depois me disseram que era para ser vigilante Fundação. Me perguntaram se me interessava. Eu disse que sim e estou aqui até hoje”.
Com 1 ano no cargo de vigilante, Benício foi chamado para ser operador de equipamentos institucionais do Colégio Técnico, atividade que exerceu com gosto. Depois de quase dois anos na função, foi nomeado prefeito do campus – que era a pessoa responsável pela manutenção de todo espaço físico da Fundação José Carvalho. “Do portão da Fundação para dentro nós éramos os responsáveis por toda a manutenção da área, como podas de árvores, parte hidráulica, elétrica, obras”, relembra Pena.
Atualmente, o ex-vigilante e operador de equipamentos continua cuidando da área onde está localizada a sede da FJC, agora liderando a equipe de manutenção. Embora o seu trabalho não seja diretamente ligado à educação dos alunos, a valorização pela obra e inteligência do Dr. Carvalho faz parte do seu sentimento. “Eu gosto da ideia de transforma o mundo através da educação. Considero isso muito importante. Receber a criança desde pequena e educá-la até mais velha é algo majestoso”.
 
 
 
Seu Elias José, 62, que trabalhou na construção dos prédios da sede da Fundação e há mais de 30 anos faz parte da equipe de manutenção das dependências da FJC como marceneiro, encontrou na instituição um lugar valiosos para se construir laços afetivos. “Sempre achei a Fundação um lugar sadio para se trabalhar. Tenho amizades com professores, alunos e achava interessante na época em que as crianças ficavam internadas. Era menino de um lado para outro. Eu gostava”.
Além do bom convívio com colegas de trabalho e alunos, a vida reservava para Elias mais uma sorte. Há pouco mais de 6 meses ele conheceu, através de um funcionário da Fundação, a sua esposa. Meio tímido, o senhor com sorriso de garoto, diz estar feliz pelo novo momento e agradece à Fundação. “Me sinto feliz pelas boas amizades e pelo trabalho. Quanto à esposa, até nisso a Fundação ajudou”, fala Elias sorrindo.
Para o contador José Santos Souza, que chegou na FJC ainda como estagiário, em1987, esse lugar tem uma grande importância na sua vida.”Depois de três meses do fim do estágio fui chamado para fazer uma entrevista e fiquei, não sai mais”, conta Souza. A história de vida de Souza se mistura com seu tempo na Fundação. “Foi durante esse tempo que estou na Fundação que me casei, tive filhos, consegui fazer duas graduações (história e ciências contábeis). Nesse período, tive a oportunidade também de ganhar uma bolsa de estudos da Fundação e fazer uma especialização em gestão financeira e contábil. Então, esse lugar tem uma proporção muito grande na vida, como profissional, pai de família e estudante”.  
 
 
 


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